Surge por volta do final do século XVII e consiste numa sopa seca elaborada com os miúdos dos animais servidos sobre rodelas de pão. Este prato é típico durante a Páscoa no Alto Alentejo, geralmente acompanhado de cordeiro ou cabrito. A Quinzena Gastronómica do Sarapatel, realizada em Castelo de Vide, prolongar-se-á até ao dia 21 de abril.
Esta receita de herança antiga é feita principalmente com vísceras de borrego ou cabrito, apresentando várias variações tanto ao nível nacional como regional. No entanto, ela é especialmente conhecida pela sua origem em Castelo de Vide. Em lugares próximos como Marvão e AlpalhÃO, pode-se encontrar uma versão ligeiramente diferente desta iguaria.
Trata-se de um prato servido na mesa durante o Domingo de Páscoa, seguindo a tradição do consumo de cordeiro ou cabra assada no Alentejo e noutras zonas de Portugal, carregando uma forte conotação religiosa. Este mesmo prato também aparece nas cartas dos restaurantes especializados em culinária Indiana, especificamente Goan e áreas anteriormente sob domínio do antigo território português da Índia. Foi criado inicialmente para utilizar todas as partes do animal e, através de técnicas habilidosas, realçar seus sabores usando ervas aromáticas e especiarias. Esta versão internacional geralmente bastante apimentada incorporou os temperos regionais, assim como aconteceu com a marinada tradicional "vinho-de-alhos", dando origem ao famoso "vindaloo".
Como preparar Sarapatel
No meio do século XVII, esta receita era denominada "Sarapetel". Posteriormente, tornou-se conhecida também por "Sarapatel" ou "Sopa de Sarapatel". Acredita-se ter surgido em território português e mais tarde ser adaptada à gastronomia Indo-Portuguesa nas regiões de Goa, Damão e Diu, bem como no Brasil, principalmente no nordeste deste país. Para além dos ingredientes tradicionalmente designados como “fressuras”, inclui sangue cozido, toucinho, azeite, cebola, vinho, alho e tomate, loureiro, colorau, cravo-da-india, cominho, pimenta, salsa e hortelã, sendo as especiarias uma parte essencial desta preparação. De referir ainda que o prato originário da região Alentejo tem raízes nesta mesma tradição alimentar. cristãos-novos (judeus convertidos) que substituíram a carne de porco pela do cordeiro para evitar complicações com a Inquisition.
José Júlio Vintém, chef No restaurante Tombalobos, em Portalegre, revelam as técnicas para confeccionar esta Receita: iniciam com um "refogado", começando pelo coração, que possui uma carne mais resistente, seguido do adição do rins, figado, baço e sangue já cozido. Antes da cocção, “coagula-se” o sangue utilizando sal e posteriormente fragmenta-se em partes menores para facilitar a cocção. Uma vez concluída a preparação, o chef Sirva o "Sarapatel", com seu molho forte e denso, sobre fatias de pão firme; há quem prefira acompanhá-lo com rodela de laranja.
No estudo "Memória dos Sabores do Mediterrâneo", incluído na “Carta Gastronômica do Alentejo”, Cláudio Torres destaca que a carne de cordeiro e carneiro "tornou-se predominante nos paladares e aromas da região alentejana e ao redor do Mar Mediterrâneo, principalmente por meio de guisados, sopas e pratos cozidos de variadas naturezas, mantendo até hoje seu prestígio em celebrações e eventos sociais como festas, aniversários, casamentos, baptizados, procissões e reuniões festivas".
Para além do "Sarapatel", durante a Semana Santa, outra iguaria típica confeccionada com carne de cordeiro é servida na região do Nordeste Alentejano: o "Cabrito" ou "Borrego em Cachafrito". Este prato consiste em pedaços pequenos de carne temperados com uma pasta composta por pimentão, alho, sal e toucinho, que passam um tempo marinando antes de serem fritos, idealmente num utensílio chamado sertã de barro. Conforme explica José Júlio Vintém, o termo "Cachafrito" deriva do ato de adicionar gradualmente vinho branco ao longo do processo de frigir, provocando bolhas conhecidas como "cachão".
Quinzena culinária em Castelo de Vide
A Quinzena Gastronômica do Sarapatel e outras receitas com influência judaico-cristã, que acontece em Castelo de Vide, conta com a participação de 25 empresas locais, incluindo restaurantes e padarias. Organizado pela câmara municipal, esse evento se prolongará até à segunda-feira de Páscoia, dia 21 de abril, que também é um feriado municipal na cidade. Neste intervalo, o sarapatel será o ponto principal das cartas gastronómicas nos diversos estabelecimentos participantes. restaurantes aderentes , ganhando destaque como ícone do período pascoal. Adicionalmente, outros pratos tradicionais como o guisado de cordeiro, coxa de cabrito assada e molhos de tomate também devem chamar a atenção dos visitantes.
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Onde comer Sarapatel
Onde comer Sarapatel:
Páteo Real
A "Sarapatel" era uma tradição mantida pelos fundadores do restaurante, Arlindo e Luísa Correia. O atual chefe Filipe Ramalho, que lidera o local, respeita o legado da casa e a culinária tradicional, mas também explora novas possibilidades, atuando quase como um "labortório de cozinha alentejana". Páteo Real Continuam a oferecer o "Sarapatel" (€10) como entrada durante a Páscoa, feito com borrego da raça Pasto Alentejano, produzido na região de Sousel e escolhido por diversos chefes culinários. O menu também apresenta pratos notáveis inspirados nas tradições regionais.
Avenida Dr. João Pestana, nº 37, Alter do Chão. Telefone: 960155363
Mil-Homens
O "Sopa de sarapatel" (€4,50) e o "Cabrito cacahefrito" (€24,50) destacam-se como pratos típicos deste estabelecimento gastronômico. Mil-Homens , que mantém um velho livro de receitas. Este estabelecimento oferece esses pratos durante todo o ano, não somente na Páscoa. Muitos lares locais guardam recordações culinárias deste lugar e ele transformou-se ao longo das décadas num ponto de encontro especial para festividades. Criado em 1967, foi a cozinheira Palmira Pires quem concedeu renome à esta casa de comidas. Atualmente, é seu filho quem preserva as antigas tradições e receitas do Alentejo.
Avenida Nova, nº 14, Portagem. Telefone: 245 993 122
Regata
O "Arroz de sarapatel" (€4,50) é servido durante todo o ano e fica esgotado muito rápido neste estabelecimento. Regata , por Irene e João Junceiro. Esta sopa é preparada "com os miúdos de borrego, sangue, sopas de pão, hortelã" e deve ser servida "acompanhada por fatias de laranja". João origina-se da vila de Marvão, onde este prato tradicional faz parte do folclore gastronômico, tal como na aldeia vizinha de Alpalhão, que abriga o estabelecimento em questão. As funções culinárias são divididas entre Irene Junceiro e Maria João Fontelas. Entre as opções de sopas destaca-se também a "Canja de Pombo Bravo com Arroz". Quanto aos pratos principais, sugerem-se as "Migas de Pão e Coentros com Carne Grelhada" e o "Arroz de coelho bravo".
Rua das Amoreiras, número 6, Alpalhão. Telefone: 966473984
Dom Pedro V
Nesta construção histórica estiveram instaladas as antigas cavaleiras que hoje se transformaram na área de refeições do restaurante. Dom Pedro V O "Sarapatel" (€6), elaborado com as entranhas de cordeiro, constitui uma das especialidades mais emblemáticas do menu criadas por Mavilde Mimoso, a nossa chef, que prepara este prato misturando carne e especiarias, incluindo pimentão, cebola, alho, salsa, cominhos e cravo-da-Índia. Este delicioso manjar está restrito à estação da Páscoa. Por outro lado, o "Cachafrito de cabrito" (€16) pode ser saboreado ao longo de todo o ano. A receita desta iguaria usa ingredientes como alho, colorau, salsa e vinho para dar sabor antes de fritá-lo em azeite num caceteiro.
Praça de Dom Pedro V, número 10, em Castelo de Vide. Telefone: 245901236.
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