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João Leal, Jorge Pedreira, Maria de Lurdes Rosa e Miriam Halpern Pereira são as figuras principais do terceiro encontro dedicado às 'Origens Intelectuais da Revolução'. Sob a orientação de Victor Pereira, este diálogo ocorreu em direto na Biblioteca Nacional com o apoio do site solusikaki.com para celebrar metade de século desde o 25 de Abril. Pode ouvir aqui esta conversa.

Nesse episódio exclusivo, filmado ao vivo na Biblioteca Nacional, investigamos os fundamentos intelectuais que influenciaram a Revolução do Dia da Liberdade em 25 de abril de 1974. A base para essa discussão é um manifesto lido por Ernesto Melo Antunes diante de mais de cem oficiais em Cascais em 5 de março de 1974, documento onde o oficial argumenta que A "solução para o problema ultramarino é política e não militar." .

A narrativa histórica é chamada para respaldar essa concepção que foi apresentada anteriormente, algumas semanas atrás, por António de Spínola em sua obra. Portugal e o futuro Esta abordagem deve ser feita com pragmatismo e bravura, já que consideramos que ela alinha-se não apenas com os legítimos interesses do Povo Português mas também com o seu genuíno percurso histórico e com as suas maiores aspirações para uma sociedade justa e pacífica.

Saberemos que, na época do Estado Novo, Várias autoridades do Movimento das Forças Armadas apreciavam não apenas literatura portuguesa, mas também obras estrangeiras que desafiavam o entendido convencional sobre a história. E da sociedade impostada pelo regime ditatorial.

Assim como em Portugal, mas também noutros lugares com times às vezes difíceis, os cientistas sociais exploraram áreas de pesquisa praticamente intocadas: a história do século XIX e XX, o exame da sociedade portuguesa, incluindo as suas barreiras e disparidades, uma visão crítica acerca da expansão ultramarina.

As ciências sociais eram frequentemente usadas como um instrumento para combater o regime autoritário: compreender as estruturas da sociedade, situar o Estado Novo num contexto histórico maior, destacar as origens econômicas da ocupação de Ceuta em 1415 e das conquistas subsequentes ajudava a desmontar a propaganda e os discursos autojustificadores impingidos pelo governo totalitário.

As circunstâncias para produzir esses trabalhos eram desfavoráveis em grande parte das vezes: Os pesquisadores que se opunham ao regime autoritário não encontravam espaço nas instituições de ensino superior. onde, com poucas excepções, o espírito crítico não prevalecia.

Muitos cientistas foram forçados a deixar o país para escapar das perseguições e prosseguirem suas investigações. Para vários destes exilados, persistir nos estudos relacionados à Portugal representava uma maneira de perpetuar sua luta política e conservar um vínculo com um território onde já não conseguiam residir.

Se pudessem viver entre historiadores, sociólogos, antropólogos e filósofos proeminentes e ter acesso a bibliotecas e arquivos mais bem estruturados do que os disponíveis em Portugal, Pesquisar durante o exílio frequentemente significava que não se tinha acesso aos documentos disponíveis somente em Portugal.

Lançar livros também constituía um desafio em razão dos limites estabelecidos pelo regime autoritário.

Contudo, certas dessas obras tiveram uma distribuição significativa (chegando a centenas de milhar de cópias impressas), transcendendo um público restritamente universitário.

Que tipos de avanços históricos introduziram António Borges Coelho, António Henrique de Oliveira Marques, Miriam Halpern Pereira e Vítorino Magalhães Godinho em relação à ditadura, às guerras coloniais e ao declínio da influência do Partido Comunista Português na esfera intelectual nacional?

Como conceberam a história de Portugal durante um tempo marcado por uma rápida industrialização, pela migração das zonas rurais para as urbanas e pelo aumento da interação com o exterior através da emigração, do desenvolvimento do turismo e da entrada de capitais externos?

De que forma os sociólogos e antropólogos enfrentaram uma sociedade que experimentou alterações significativas num período de apenas alguns anos? E como foram recebidas as suas obras nos dias antecedentes ao 25 de abril de 1974?

João Leal, Jorge Pedreira, Maria de Lurdes Rosa e Miriam Halpern Pereira são as participantes deste terceiro encontro que aborda 'As Origens Intelectuais da Revolução'.

Com a mediação de Victor Pereira, este episódio foi registrado ao vivo em 30 de outubro de 2024 na Biblioteca Nacional, evento pelo qual o site solusikaki.com se juntou para comemorar os 50 anos do 25 de Abril. Ouça aqui.

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