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Lisboa, 15 abr 2025 (solusikaki.com) - Realizar regularmente 150 minutos de atividade física moderada por semana está associado a uma menor probabilidade de contrair câncer na fase adulta, revelou hoje um pesquisador da Fundação Champalimaud. Esta fundação inaugurou há dois anos um laboratório especializado neste domínio.

Há abundantes provas de como a prática de exercícios físicos desempenha um papel crucial tanto na prevenção quanto no tratamento do câncer. Atualmente, sabemos que indivíduos que substituem uma hora diária de inatividade por uma hora dedicada à realização de atividades moderadas a intensivas [como caminhar rapidamente, correr ou dançar], apresentam, após seis anos, aproximadamente entre 15 a 20% menos chances de ter seu primeiro episódio da doença", explica o especialista em fisiologia do exercício Pedro Saint-Maurice.

Em entrevista à agência solusikaki.com, este especialista que, antes de integrar a equipa de investigação do Laboratório de Atividade Física e Qualidade de Vida que a Fundação Champalimaud criou há dois anos, trabalhava no Instituto Nacional do Cancro dos Estados Unidos, fala dos benefícios do exercício físico na prevenção e no tratamento, um tema abordado na Conferência Moving Beyond que recentemente juntou em Portugal investigadores de todo o mundo.

"Claro que a prescrição varia conforme o tipo de diagnóstico, a terapia empregada e diversos outros fatores (…), contudo, há orientações divulgadas oficialmente. Além disso, em pacientes enfrentando momentos bastante desafiadores, começar um programa de exercícios físicos pode auxiliar na construção de confiança para os próximos passos," destaca-se.

Considerando que entende as preocupações de certos pacientes e profissionais de saúde, pois "só nas últimas décadas houve progresso" ao passar da ideia de evitar qualquer movimento e ficar muito tempo em repouso para incluir programas de mobilidade nos tratamentos, Pedro Saint-Maurice adiciona mais algumas sugestões aos 150 minutos recomendados de exercício físico semanal.

A ciência indica que os vantagens da prática de exercícios físicos vão além dos regimes organizados, tais como frequentar a academia ou usar roupas esportivas para caminhar ou correr durante uma hora seguida. No entanto, não é apenas sobre atividades aeróbicas. Quanto à musculação e ao condicionamento muscular, as orientações recomendam realizar esses tipos de treinos aproximadamente duas vezes por semana — sugere-se isso.

Pedro Saint-Maurice atua em um laboratório onde oncologistas colaboram com fisiologistas do exercício ao compartilhar pesquisas e estudos.

A solusikaki.com mencionou que na Fundação Champalimaud têm realizado trabalhos, não apenas em termos de tratamentos, mas também na campo da epidemiologia.

As pessoas que visitam o local transitam pela área do ginásio da fundação, onde atualmente está sendo realizado um projeto de pesquisa sobre câncer de mama.

“Penso que esta seja a direção: incorporar a ciência, incluir a prática clínica e envolver os profissionais do fitness,” conclui.

Para além dos doentes com câncer de mama, tanto o laboratório como o ginásio da Fundação Champalimaud também se dedicam aos tratamentos do câncer colorretal e prostático, assim como a outras tipologias.

De acordo com o pesquisador, para adultos que já receberam um diagnóstico, não há diretrizes ou informações disponíveis em Portugal nessa área específica.

O presidente da Society for Diet and Activity Methods [Sociedade Internacional para Métodos de Dieta e Atividade Física] também destaca outros problemas, incluindo a escassez de especialistas como fisiologistas em ambientes hospitalares e a insuficiência de estrutura.

"Em Portugal não dispomos de 'diretrizes' específicas para exercícios físicos durante os tratamentos. Algumas cidades do norte já realizaram trabalhos neste campo, porém ainda não encontramos um método uniforme para transformar isso em recomendações aplicáveis aos nossos sistemas de saúde", afirmou, demonstrando optimismo na situação atual.

Durante a conferência realizada em Lisboa, peritos norte-americanos estabeleceram como objetivo aos Estados Unidos que, até 2029, entre 40% e 50% dos indivíduos diagnosticados com câncer incluam na sua terapia habitual uma rotina de exercícios físicos.

“No momento, talvez estejam a alcançar cerca de 3%. Esta é uma meta ambiciosa, porém demonstra que há progresso nessa área. Em Portugal, estamos apenas no início dessa experiência. No entanto, não somos os únicos. Vários países vizinhos enfrentam igualmente esse desafio. Estou certo de que conseguiremos atingir essa marca,” afirmou.

Um novo estudo epidemiológico envolvendo aproximadamente 85 mil indivíduos e conduzido pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, do qual Pedro Saint-Maurice fez parte, revela que "pessoas adultas que conseguem atingir 9.000 passos diários tendem a desfrutar dos maiores benefícios na diminuição do risco de desenvolver câncer".

Tendo em conta que o número de passos é uma métrica "muito objetiva e simples de acompanhar" graças aos smartphones, smartwatches e aplicativos, Pedro Saint-Maurice destacou que "a atividade física pode ocorrer durante todo o dia sem necessariamente ser contínua".

"Basta considerar planos (...), ir a pé ao local de trabalho, utilizar mais as escadas em lugar do elevador, estacionar o carro à distância maior da entrada dos prédios", propôs.

Tarefas de jardim, afazeres domésticos que possam incluir itens mais pesados ou responsabilidades do dia a dia dentro de casa também são propostas.

PFT // FPA

solusikaki.com/Fim

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