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Ao escutar o atual primeiro-ministro nestes últimos dias, alguém poderia pensar que Portugal se assemelha a uma espécie de ilha idílica banhada pelo sol – em contraste com o restante do planeta, onde tempestades trazendo crises econômicas, conflitos armados e ameaças à democracia obscurecem tudo ao redor, destacando ainda mais esta Portugal que reluz como nunca antes resplandeceu.

O cenário político atual em que nos encontramos certamente contribuirá para elucidar esta narrativa mais otimista — evitando chamá-la de totalmente absurda. Luís Montenegro pretende "apresentar-se" ao país como um tipo de Rei Midas, com capacidade de converter qualquer coisa em ouro, desde a economia até as finanças do Estado, sem desconsiderar a oposição que também já sofreu influência montenegrizada. Magia, declararia Luís Montenegro diante do espelho toda vez que se questionasse: "Espelho meu, espelho meu, há algum primeiro-ministro superior a mim?"

Podem continuar a ter efeito sobre boa parte dos eleitores estas táticas políticas aparentemente simples. Frases como "sempre há quem esteja em situação mais difícil" ou "todos eles se assemelham, mas pelo menos este elevou minha reforma". Provavelmente, a rota ideal para conservar ou alcançar o poder continua sendo oferecer vantagens financeiras a um amplo grupo de votantes.

É suficiente observar atentamente os programas das forças políticas que concorrem às eleições. Especialmente aqueles da AD e do PS. A fórmula é idêntica, assim como as bases de apoio, diferindo apenas em sua apresentação.

Num contexto onde o panorama económico prevê uma desaceleração significativa ao longo dos próximos quatro anos – sem contabilizar ainda as consequências das disputas comerciais instauradas por Trump – tanto o AD quanto o PS têm prioridades claras: primeiramente conquistarem o poder. Posteriormente pensarão em estratégias para permanecer nele. Por um lado, propõe-se reduzir o IRS e o IRC; pelo outro, diminuir o IVA e o IUC. No tocante aos pensionistas, ambos concordam com seu aumento. O salário mínimo nacional segue a mesma tendência ascendente. Embora o salário médio geral dependa menos desses fatores políticos, ele também deverá ser incrementado. Pretende-se garantir acesso universal à medicina familiar - enfim! -, além disso planeja-se investimentos na área defensiva, construção de novos aeródromos, implementação do TGV, bem como a eliminação adicional de pedágios no caso específico do PS. Nossa posição sobre a imigração mantém-se restritiva, porém reconhecemos a necessidade crítica de trabalhadores qualificados para sustentar nosso sistema econômico atual. Desejamos ampliar nossas forças policiais, corpo docente e qualquer outra categoria laboral vocacionada às manifestações sindicais. Nos comprometemos a oferecer tudo aquilo que foi prometido durante nossa campanha enquanto recursos financeiros permitirem esse tipo de dispêndio público prolongadamente.

Nesta disputa eleitoral surgirá um vencedor que, à noite do dia 18 de maio, celebrará sua conquista e tentará refutar estas afirmações. No entanto, independentemente daquele que triunfar — ainda que obtenha uma improbabilidade de maioria absoluta — permanece inalterado o fundamental: o país segue carente de uma perspectiva clara. Continua faltando uma estratégia abrangente para o futuro. Permanece ausente a aspiração de se tornar um estado menos empobrecido.

Este será sempre o país onde os contribuintes suportam sozinhos um Estado sobrecarregado, que diariamente falha nas áreas essenciais como a saúde, educação e habitação, entre outras. É aqui também que vivem mais de dois milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza, à qual a democracia ainda não conseguiu dar resposta, apesar dos seus desafios contínuos. Neste território, as empresas — principalmente PME’s — lutam constantemente por crescer face ao peso combinado dos impostos elevados e aos processos administrativos complexos do governo. No entanto, mesmo com todas estas dificuldades, elas mantêm-se firmes abrindo novas instalações dia após dia e prosseguindo incansavelmente nos seus esforços.

Este país, retratado por Luís Montenegro como uma espécie de paraíso terrestre, é na realidade um lugar onde habitam pessoas resistentes e persistentes, às quais o governo tem negado as oportunidades há bastante tempo. Este é um território que avança independentemente das autoridades governamentais. Um local em que a população apenas sobrevive, ao invés de realmente viver.

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