O chanceler iraniano revelou na noite de segunda-feira, dia 14 de abril, que as próximas conversas com os EUA estão agendadas para o próximo sábado, 19 de abril, em Mascate, a cidade-capital do Omã. Este encontro ocorre numa fase delicada das relações bilaterais, caracterizada por conflitos regionais e complexidades diplomáticas.
Esta semana, os representantes da diplomacia iraniana, chefiados por Abbas Araghchi, viajam até Moscou para discutir as diretrizes estratégicas em curso. A Rússia permanece como um interlocutor crucial para Teerão, sustentando uma postura favorável quanto às questões nucleares do Irã e à remoção das sanções aplicáveis.
A reunião realizada em 12 de abril em Mascate foi significativa pois marcou o primeiro encontro oficial de alto nível entre diplomatas iranianos e americanos desde os debates de 2015, responsáveis pelo Acordo de Viena. Este evento teve como mediador o Ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Al-Boussaïdi, que atuou como facilitador entre as duas equipes, passando comunicações escritas de uma sala para outra.
De acordo com Abbas Araghtchi, ocorreram quatro rodadas de negociações em um espaço de dois anos e meio, dentro de uma atmosfera que ele caracterizou como “construtivo” e “baseado no respeito mútuo” Do lado norte-americano, o emissário para o Oriente Médio, Steve Witkoff, expressou disposição flexível, com ambas as partes concordando em preservar o mesmo grau de participação nas próximas rodadas de discussões. A residência oficial do presidente, a Casa Branco, avaliou esses encontros dessa maneira: “muito positivos e construtivos”.
O novo encontro foi agendado para o dia 19 de abril. No entanto, há a probabilidade de etapas subsequentes ocorrerem em algum lugar da Europa, tendo em vista questões práticas e com o objetivo de tornar os encontros mais frequentes.
Este processo de reaproximação ocorre num cenário delicado: desde que os Estados Unidos abandonaram o Acordo de Viena, em 2018, durante o governo de Donald Trump, o Irã deixou de cumprir as restrições impostas pelo pacto e elevou consideravelmente o nível de enriquecimento de urânio até atingir 60%, um patamar próximo daquele exigido por finalidades militares. Com o retorno de Donald Trump ao cargo de presidente nos EUA em janeiro de 2025, surgiram dúvidas; contudo, há indicações de que sua gestão está adotando uma postura mais prática do que inicialmente previsto.
Mesmo com as conversações em curso entre o Irã e os EUA a mostrar progressos, ainda persistem vários impedimentos nesse processo. Internamente, tanto nos Estados Unidos quanto no Irão, encontramos forças políticas que se mostram contrárias quaisquer tipos de entendimento. No território iraniano, alguns indivíduos suspeitam da motivação americana preferindo adotar um comportamento mais firme. Do lado estadunidense, particularmente associado às novas autoridades do governo Donald Trump, algumas partes insistem em não conceder nada ao Irã. Além disso, nações como Israel resistem firmemente a toda proposta capaz de viabilizar a continuidade do projeto nuclear iraniano, até mesmo aqueles destinados exclusivamente a usos pacíficos. De acordo com Tel Aviv, esse programa constitui uma grave preocupação para sua própria proteção nacional exigindo assim a completa eliminação deste pela República Islâmica.
Outro ponto discutido fora do processo de negociação é se os Estados Europeus poderão optar por reiniciar um dispositivo denominado snapback - Que permite que todas as sanções internacionais contra o Irã sejam reimpostas automaticamente, caso seja considerada uma infração por parte do país aos termos do acordo nuclear. Em resposta a isso, o Irã já declarou que poderá retirar-se do Tratado de Não-Proliferação Nuclear — um pacto destinado a impedir que nações desenvolvam armas atômicas. Uma saída deste tratado implicaria que o Irã recusasse mais fiscalizações e controles internacionais, potencialmente elevando o risco de confrontação e instabilidade na área.