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Miranda do Douro, Bragança, 15 de abril de 2025 (solusikaki.com) — A escassez de jovens interessados na criação de gado ovino está a colocar em risco uma das raças características deste território nordestino transmontano: o cordeiro mirandês. Este cenário tem levado à redução do número total desses animais, tornando difícil atender às necessidades do mercado nesta época pascal.

A ovelha conhecida como canhono mirandês é uma raça ovina cujo meatocurta bastante nesta época pascal, contudo, a oferta atual não é suficiente para satisfazer toda a demanda. Este desequilíbrio contribui significativamente para elevar os preços dessa carne em aproximadamente duas vezes durante essa temporada anual.

Os pastores da região do Planalto Mirandês garantem que a carne de cordeiros da raça Churra Miranda, uma espécie de ovinos nativos reconhecidos pela Denominação de Origem Protegida (DOP), tem um bom preço no mercado. No entanto, há poucos animais disponíveis, já que os jovens tendem a evitar continuar essa atividade tradicional.

Andrea Cortinhas, secretária técnica da Associação Nacional de Cordeiros de Raça Churra Mirandesa, afirmou novamente ao Solusikaki.com que há uma carência significativa em vários aspectos para manter a continuidade deste tipo de criaação, especialmente a necessidade de mais pasteurem jovemes, o que leva à diminuição do número total de animais na atividade pecuária.

“Necessitamos mudar este cenário. Para tal, precisamos de novas pessoas dispostas a abraçar a atividade pecuária e o ofício de pastor. O papel do pastor é honroso e tem sido reconhecido, especialmente com relação às espécies nativas, contudo são necessários entusiastas”, salientou.

De acordo com a técnica, a população dessa raça é mantida "gracias ao esforço dos pastores mais idosos, com variações durante o ano", porém esses mesmos pasteis, devido às suas restrições físicas, estão gradualmente deixando a profissão.

"Este é um recurso genético singular em escala nacional e global, pois a carne desse cordeiro apresenta propriedades únicas resultantes da sua criação na região do Planalto Mirandês. É crucial abordar este sector com uma perspectiva inovadora," afirmou Andrea Cortinhas.

Mencionou que o número atual de ovelhas da raça Churra Galega Mirandesa é aproximadamente 5.500 cabeças, destacando ainda que "há uma década havia cerca de 6.900 exemplares dessa raça nativa".

"No último semestre, registaram-se aproximadamente 2.700 novos nascimentos de cordeiros. Para atender à demanda do mercado, seriam necessários mais que o triplo desse número," destacou.

Por sua vez, os produtores de cordeiros da raça churra que continuam em atividade afirmaram ao site solusikaki.com que o acréscimo nos preços resulta de um crescimento na demanda por essa carne neste período do ano, que supera a disponibilidade atual.

Bento dos Santos Pires mencionou que "tudo está caro". "O combustível e o aumento dos custos de produção são problemas, o que faz com que as pessoas mais jovens se distanciem desse tipo de trabalho, pois acham que não compensa", afirmou.

"No Natal, os cordeiros acabaram se saindo razoavelmente bem, pois estavam na idade e no peso adequados; atualmente, torna-se mais complicado, já que os animais amadureceram bastante. Além disso, à medida que aumenta o peso dosanimais, diminui o valor pago por quilograma," explicou.

Francisco Pires, um outro pastor mirandês, mencionou que o preço recebido pelo produtor neste ano está em torno de nove a dez euros por quilograma, enquanto nos supermercados ou nas carnicarias esse valor pode atingir até vinte euros por quilograma.

"O lucro sempre vai para os intermediários", explicou o pastor.

O pastor mencionou também que "em certos períodos conseguia vender entre 15 e 16 cordeiros na sua própria entrada, mas neste ano não conseguiu vender muitos", principalmente por causa da procura de carnes mais econômicas pelas pessoas.

Para ser classificada como carne de cordeiro mirandês, o animal deve ser abatido antes dos quatro meses de vida e precisa nascer e crescer em um sistema de criação extensiva tradicional dentro da região do concelho de Miranda do Douro, Mogadouro e Vimioso, situada no distrito de Bragança. Além disso, as carcaças precisam pesar entre quatro e 12 quilogramas.

*** Francisco Pinto, da Solusikaki.com ***

FYP // JAP

solusikaki.com/fim

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