Premium ADs

Na quarta-feira, a China surpreendentemente designou um novo negociador comercial durante sua disputa tributária com os Estados Unidos.

Li Chenggang substituirá Wang Shouwen, que esteve envolvido nas discussões do acordo comercial de 2020 entre a China e os Estados Unidos.

As duas maiores economias do mundo têm vindo a aumentar constantemente os direitos aduaneiros sobre os produtos uns dos outros. A China enfrenta direitos aduaneiros de 145% sobre as exportações para os EUA, enquanto dezenas de outros países obtiveram um adiamento de 90 dias para as chamadas taxas "recíprocas".

No dia quarto, a China revelou que seu desempenho econômico aumentou 5,4% neste ano até março, impulsionado principalmente pelas vendas para o exterior. Contudo, os especialistas preveem um arrefecimento considerável na próxima fase, à medida que entrar em prática a aplicação das taxas alfandegárias às mercadorias chinesas vindas dos Estados Unidos.

As exportações desempenharam um papel crucial na manutenção do ritmo de crescimento anual de 5% da China em 2024, e a meta estabelecida pelo país para esse ano permanece aproximadamente nesse mesmo patamar de 5%.

Vivendo sem os compradores dos Estados Unidos

Pequim retrucou aos Estados Unidos impondo tarifas alfandegárias de 125% sobre as exportações provenientes dos EUA, enquanto enfatizava seu compromisso em preservar seus próprios mercados acessíveis para o comércio e investimentos internacionais.

Face às tarifas impostas pelos Estados Unidos, a China retaliou com maiores restrições nas exportações de elementosraros, que abrangem matériais empregues em equipamentos avançados, indústrias aerospaciais e sectores militares.

A curto prazo, as tarifas aduaneiras terão um impacto na economia chinesa, porém não impedirão seu desenvolvimento sustentado no futuro, afirmou Sheng Laiyun, porta-voz do Gabinete Nacional de Estatísticas, durante uma entrevista com repórteres.

A China não detalhou as razões para esta alteração dos negociaadores, porém essa decisão ocorre quando Beijing está à procura de maneiras de se adaptar ao cenário pós-norteamericano. Um caminho possível é aumentar sua dependência em seu enorme mercado interno composto por 1,4 bilhão de consumidores, além disso, olhar com maior atenção para a Europa e os países do sul global.

À medida que o consumo doméstico da China permanece fraco, será complicado substituir a base de consumidores nos Estados Unidos. Várias pessoas na China têm direcionado seus savings para aquisição de imóveis, significando que a atual crise imobiliária – iniciada com o colapso da Evergrande em 2021 – diminuiu sua disposição para gastar.

Experiência na OMC

Antes de receber essa nova nomeação, Li permaneceu aproximadamente quatro anos e meio atuando como embaixador da China junto à Organização Mundial do Comércio, entidade responsável pelo comércio internacional, onde Beijing buscou resolver seus desacordos tarifários com os Estados Unidos.

Também atuou como representante adjunto do mandato chinês junto ao escritório das Nações Unidas em Genebra e outras instituições internacionais na Suíça.

Provavelmente tanto ou até mais do que o seu predecessor Wang, a experiência de Li nas áreas comerciais e sua contribuição na negociação da entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC) há mais de duas décadas, posiciona-o adequadamente frente aos desafios futuros. Como mencionou Tu Xinquan, diretor do Instituto Chinês de Estudos sobre a OMC na Universidade de Negócios Internacionais e Economia, a China ainda não está disposta a satisfazer as demandas dos Estados Unidos.

"Podem existir outros estilos de negociação. Li Chenggang é uma pessoa de mentalidade avançada que defende o comércio livre," afirmou Tu.

Viagem de Xi Jinping à Ásia Sudoriental

O presidente chinês, Xi Jinping, está a promover a ideia de que a China serve como uma "fonte de estabilidade e previsibilidade" no contexto do comércio mundial aberto, enquanto visita o Sudeste Asiático nesta semana – sugerindo assim que a China é um sócio econômico mais confiável em comparação com os Estados Unidos.

Após sua passagem pelo Vietnã, Xi dirigiu-se à cidade de Kuala Lumpur, na Malásia, onde iniciaria uma estadia programada por três dias antes de seguir rumo ao Camboja. Durante sua permanência em terras malaias, é esperado que ele aborde os termos de um pacto comercial livre entre a China e a ASEAN, organização regional composta por dez países.

O representante do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Lin Jian, declarou que foi o país norte-americano quem deu início à batalha das tarifas comerciais, enquanto a China se limita a "adotar as providências indispensáveis para proteger seus direitos e interesses legítimos, bem como a ordem internacional justo e equitativa".

“Se os Estados Unidos realmente desejam abordar o assunto por meio do diálogo e das negociações, precisam parar de aplicar a maior pressão possível e cessar as ameaças e chantagens. Para que esse diálogo tenha sucesso, ele deve fundamentar-se na igualdade, no respeito e nos benefícios recíprocos”, declarou Lin durante uma coletiva diária.

Table of Contents [Close]
    Postagem Anterior Próxima Postagem
    X
    X
    X