Hoje, o primeiro-ministro afirmou que o país político chegou a um consenso com as diretrizes do governo em relação à imigração controlada e estruturada, enfatizando ainda a importância da aprovação de um sistema mais eficiente de repatriação para os indivíduos que entram clandestinamente.
Luís Montenegro expressou estas opiniões depois de liderar a cerimônia da assinatura para a construção de dois novos centros de instalação temporária (CIT), localizados em Lisboa e no Porto. Estes centros poderão abrigar mais de 300 indivíduos cada — um investimento estimado em 30 milhões de euros com suporte financeiro proveniente do Plano Recuperação e Resiliência (PRR).
Na sua intervenção no Ministério daAdministração Interna, com a presença dos ministros do Gabinete (António Leitão Amaro),da Administração Interna (Margarida Blasco)e da Coesão Territorial(Castro de Almeida), além de líderes das diversasforças policiais e militares,Luís Montenegro enfatizouduas iniciativasque se mantinham por aprovar na câmara legislativa ao longode o mandato político recém-concluído peloseu governominoritário.
“Ainda que tenhamos encerrado o processo de expressão de interesses, que era central para lidar com a entrada desregulada de imigrantes em Portugal, uma parte essencial da nossa estratégia permaneceu por implementar. Lamentavelmente, isso não estava apenas nas mãos do governo; também exigia a cooperação da Assembleia da República. Essa componente consistia na formação da Unidade de Estrangeiros e Fronteiras dentro da PSP e na aceleração das medidas voltadas ao retorno de indivíduos presentes ilegalmente no nosso território,” destacou-se.
Contudo, segundo o primeiro-ministro, não só o Governo executou boa parte das metas estabelecidas na sua estratégia para uma imigração justa e humana, como também houve um alinhamento político em torno da abordagem que tem mantido há os últimos 11 meses.
"Se existe um tema predominante nos últimos meses na cena política portuguesa, é que, independentemente de alguns falar um pouco mais alto ou usar expressões ligeiramente mais fortes, o facto é que essa orientação baseada em princípios humanistas, definição e implementação de normas, assim como a ênfase na conformidade com esses regulamentos, tornaram-se agora elementos centrais no diálogo político da maioria," argumentou.
Para Luís Montenegro, isso representa "uma conquista do país", pois o país "conseguiu convencer-se e convergir".
"É importante realizar a pedagogia, de maneira calma e equilibrada, com um enfoque humanístico, comunicando às pessoas que vêm para Portugal, respeitam as normas e desejam ofertar seus esforços laborais, que são bem-vindas, pois necessitamos da sua mão-de-obra e valorizamos sua contribuição. Além disso, almejamos garantir uma integração e acolhida completas," enfatizou.
Em seguida, distanciou-se das alas políticas extremistas, mesmo não referindo diretamente os partidos alvo de seus comentários.
"Não faz sentido alarmar nossa população com algo oposto à quem realmente somos. Somos um povo voltado para o mundo exterior, tendo estabelecido conexões por toda parte globalmente. Temos uma tradição cultural baseada na interação que não se alinha bem com um espaço totalmente restrito. Estamos prontos para receber pessoas, mas isso não deve ser mal interpretado como uma falta total de regulamentações", concluiu.