Não tenho certeza se esta situação deveria ser destaque na National Geographic ou na Caras. Pois estamos lidando com algo que mistura um fenômeno cósmico com o lançamento de uma nova boate.
A missão NS-31 da Blue Origin, pertencente a Jeff Bezos, transportou cinco mulheres para o espaço, incluindo a famosa cantora Katy Perry e Lauren Sanchez, sua futura esposa. Esta é a primeira viagem espacial com uma equipe composta exclusivamente por mulheres, um marco histórico que inspira todas as garotas a perseguirem seu desejo de explorar o espaço, desde que possam alcançar status de celebridade ou receber um pedido de casamento do segundo homem mais rico do mundo.
Antigamente, aqueles que sonhavam em se tornar astronautes tinham que ser os melhores alunos da escola e ingressar no curso de Engenharia Aeroespacial, além de superar diversos exames. Atualmente, basta apenas possuir pais abastados para alcançar esse objetivo. Os Xutos ficaram próximos dessa realidade com uma letra que poderia dizer: "Queria eu me tornar um astronauta/ Mas papai não quis pagar."
Existem aqueles que afirmam que essas jornadas espaciais nunca serão bem-sucedidas, dado seu alto custo. Por exemplo, os voos oferecidos pela Blue Origin têm um valor de 250 mil euros, algo trivial para os magnatas desta era. Alguém pode argumentar: “Mas viajar pelo espaço apenas por prazer gera mais poluição do que frequentemente se bebe num café”. E será isso verdadeiro? De qualquer forma, vale notar que a nave utilizada pela Blue Origin foi projetada com reaproveitamento em mente.
Não tenho certeza se esta situação deveria ser destaque na National Geographic ou na Caras. Pois trata-se de algo que mistura descobertas espaciais e eventos sociais em estilo boate. É tão familiar ao universo quanto à cena noturna da cidade. Longe do mundo do Buzz Lightyear, apenas mais um agito anual envolvendo celebridades.
Assim como ciência, é deficiente. No entanto, enquanto estratégia de marketing, é notável. O mais recente álbum da Katy Perry recebeu críticas negativas tanto do público quanto dos especialistas. Em outras palavras, subir em um foguete até 100 km de altitude parece ser a única maneira dela permanecer na fama. Na verdade, ela correu para dar um beijo no solo ao retornar porque, atualmente, está acostumada com situações humilhantes e desagradáveis.
A jornada levou aproximadamente dez minutos. Isso mesmo, é o tempo que o Fertagus leva para atravessar a ponte. Em qualquer vagão lotado do Fertagus, assim como num foguete onde a gravidade está ausente, os passageiros podem desfrutar da experiência de se sentirem grudados no teto. Se essas personalidades almejam estabelecer contato com um novo e hostil mundo, não necessitam embarcar numa espaçonave rumo ao cosmos. A única condução de que realmente dependem são as dos transportes públicos.