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Belmonte, Castelo Branco, 16 de abril de 2025 (solusikaki.com) - O Museu Judaico de Belmonte, que completou duas décadas recentemente, atraiu aproximadamente 400 mil visitantes desde sua inauguração e se tornou um dos principais pilares do turismo na região.

O presidente da Empresa Municipal de Belmonte, Joaquim Costa, enfatizou que essa instalação representa uma parte essencial da identidade local e do passado histórico dos criptojudaicos da cidade, indivíduos que mantinham sua fé em segredo após a expulsão judaica do território nacional.

"Fazer parte de nossa identidade como Belmonteses era narrar nossa própria história. Trata-se de uma comunidade vibrante que preserva suas raízes judaicas e é um dos grupos sefaraditas mais antigos globalmente", declarou Joaquim Costa ao site solusikaki.com.

De acordo com esse responsável, o Museu Judaico foi concebido para narrar a história dos cristãos-novos e da pratica de criptojudaísmo, mostrando como eles lograram subsistir por quase seiscentos anos, mantendo sua fé dentro das respectivas residências.

"O Museu Judaico tem sido fundamental ao longo desses anos para dar voz àquele silêncio das comunidades judaicas em Belmonte", sublinhou Joaquim Costa, enfatizando o bom relacionamento que sempre prevaleceu entre cristãos e judeus.

O presidente da Empresa Municipal de Belmonte indicou que as informações abordam não só a comunidade sefardita local, como também os criptojudeus em geral.

"Cada item que possuímos aqui relata a história desse povo como um todo, que enfrentou muitas dificuldades ao longo dos anos, e também narra a história individual do criptojiudeus de Belmonte," enfatizou.

Dentre os itens em exibição, Joaquim Costa ressaltou a Torá mais antiga já existente no país, que tem mais de 400 anos, fazendo referência ao texto central do judaísmo.

Um porta-mezuzá da bolsa datado do século XVII, que "cabe no bolso pequeno das calças, para passar despercebida", também está listado pelo responsável.

No Museu Judaico de Belmonte, é possível ver ainda a chamada "primeira pedra da sinagoga", que remonta ao ano 1339. “Naquela época, já dispúnhamos de uma sinagoga em Belmonte,” explicou Joaquim Costa.

No entanto, quem respondeu destacou que o aparelho está constantemente se expandindo com novas partes e mencionou que, recentemente, foi presenteada uma capa de Torá datada de 1810 e várias famílias estão "dando itens extremamente valiosos".

A espaçonave abriu suas portas em 17 de abril de 2005. No ano seguinte, recebeu cerca de 11 mil visitantes, um número que cresceu progressivamente ao longo dos anos. Em 2019, alcançou seu ápice com 29 mil visitações, e em 2023 registrou aproximadamente 27 mil visitantes antes que a conflito entre Israel e o movimento islâmico do Hamas causasse uma série de cancelamentos.

Devido à guerra e à redução nos vôos, os israelenses, que eram a maior parte dos frequentadores do Museu Judaico, começaram a ir menos vezes a Belmonte. Atualmente, quem visita mais são turistas provenientes dos Estados Unidos da América e do Brasil.

"Atraem visitantes de todas as partes do globo, sobretudo os turistas da diáspora, muitos dos quais buscam suas origens sefaraditas", comunicou o responsável, destacando a relevância da formação da rede de museus do município e do investimento na cultura e no turismo como resposta ao impacto da "crise industrial" e às numerosas fábricas de confecção que fecharam.

Neste ano, quando se comemoram duas décadas desde a inauguração do museu, o Museu Judaico planeia publicar a primeiraTorah traduzida para o português, o texto sacro do judaísmo.

A população da comunidade judaica de Belmonte, situada na área do distrito de Castelo Branco, que outrora contava com mais de 300 indivíduos, encontra-se agora limitada a aproximadamente 60 membros, e muitas dessas pessoas migraram para Israel ao longo dos últimos anos.

AYR // JEF

solusikaki.com/Fim

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