Madrid, 16 abr 2025 (solusikaki.com) – Uma simulação laboratorial da NASA confirma uma previsão de há 60 anos, de que o Sol é uma fonte dos componentes que compõem a água presente na Lua.
De acordo com a teoria, quando um fluxo de partículas carregadas, denominado vento solar, alcança a superfície da lua, provoca uma reação química capaz de formar moléculas d'água, informou a agência Europa Press na terça-feira.
A descoberta, mencionaram os pesquisadores em um artigo publicado na revista JGR Planets, pode afetar as atividades de astronautas no Polo Sul lunar como parte do programa Artemis da NASA.
É considerado que uma boa quantidade de água lunar, essencial para as missões espaciais, estaria congelada nas áreas nos polos onde nunca há luz solar direta.
"A parte mais fascinante é que, utilizando somente pó de lua e uma peça proveniente do Sol, que constantemente libera hidrogênio, seria possível produzir água," enfatizou Li Hsia Yeo, pesquisadora do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland, conforme mencionado em um comunicado oficial.
O fluxo constante do vento solar provém diretamente do Sol. Este é basicamente formado por prótons, que correspondem a núcleos de átomos de hidrogênio privados dos respectivos elétrons.
Navegando a uma velocidade superior a um milhão de quilômetros por hora, o vento solar cobre todo o sistema solar. Testemunhos disto podem ser observados na Terra através das conhecidas luzes do norte e sul, também chamadas de auroras polares.
As medições realizadas por sondaespaciais indicam que o vento solar pode ser o principal agente responsáveis pela criação da água, ou de suascomponentes, na superfícieda lua.
Um dado crucial, corroborado pela experiência da equipe de Yeo: o espectro lunar está ligado às variações da água durante o dia.
Nalgumas áreas, essa fenômenos torna-se mais evidente durante as primeiras horas do dia quando faz menos frio e vai diminuindo conforme a superfície ganha temperatura, possivelmente devido ao movimento ou escape das moléculas de água e hidrogênio para o espaço.
Conforme a superfície esfria outra vez durante a noite, o sinal alcança seu ponto máximo. Esse ciclo diário sugere uma fonte ativa — possivelmente o vento solar — que repõe pequenas quantias de água naLua todos os dias.
Para verificar isso, Yeo e o seu colega, Jason McLain, um pesquisador científico na NASA Goddard, criaram uma ferramenta personalizada para analisar as amostras lunares da missão Apollo.
Pela primeira vez, o aparelho abrigou dentro de si todas as partes necessárias para essa experiência: um gerador de feixes solares, uma câmera que imita condições lunares sem ar e um sensor molecular.
A criação possibilitou que os pesquisadores evitassem o processo de remover a amostra do recipiente, tal como acontecia em outras tentativas, e expusesse-a à possível poluição pelo ar aquoso.
Usando pó proveniente de duas amostras distintas coletadas na Lua por astronautes da missão Apollo 17 da NASA em 1972, Yeo e seus companheiros pesquisadores aqueceram primeiramente essas amostras com o objetivo de eliminar toda a água potencialmente absorvida durante o transporte desde o depósito selado no Laboratório de Preservação de Amostras Espaciais da NASA, localizado no Centro Espacial Johnson em Houston, até ao laboratório Goddard.
Em seguida, utilizaram um miniacelerador de partículas para expor o pó ao vento solar simulado por várias jornadas – o que equivale a cerca de 80 mil anos na superfície da Lua, considerando a alta dosagem de partículas empregada.
Usaram um dispositivo denominado espectrômetro para avaliar a quantidade de luz refletida pelos átomos da partícula de pó, revelando assim as alterações na composição química das amostras com o passar do tempo.
No final, a equipe notou uma redução na intensidade da luz refletida pelo detector exatamente na faixa infravermelha do espectro electromagnético (por volta de 3 micrômetros), onde a água geralmente absorve energia, resultando em um sinal distintivo.
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