Os sobreviventes do ataque letal com mísseis russos e as equipes médico-sanitárias que lhes prestaram cuidados relataram o terror vivido em Sumy, localizada no nordeste da Ucrânia, durante a última semana.
As repetidas ofensivas com mísseis, ocorridas no início do dia de domingo, resultaram em 35 vítimas fatais e deixaram mais de cem feridos, fazendo deste o ataque russo mais letal contra civis na Ucrânia neste ano.
"Não entendo essas pessoas que estão enviando esses mísseis", declarou Oleksandr Zaicev, o diretor interino da Unidade de Cuidados Críticos do hospital regional.
Na era do século XXI, existem indivíduos que se deleitam em tirar vidas alheias. Fico estarrecido com isso.
O assalto à cidade de Sumy, localizada aproximadamente a 30 km da fronteira com a Rússia, provocou condenações globais, incluindo as do novo chanceler alemão Friedrich Merz, que caracterizou o ocorrido como um "grave delito de guerra".
"Prefiro não encarar isso como uma nova forma de realidade para a cidade de Sumy. É evidente que os centros urbanos na primeira linha estão sendo destruídos," declarou Oleh Strilka, representante dos serviços de emergência locais, próximo às ruínas colapsadas de um prédio universitário atingido por outro mísseis.
A parte mais difícil para mim é ver as crianças afetadas. Por que terão de suportar isso?", questiona-se. "Não desejo que nossos filhos, com apenas 13 anos, tenham que ser heróis.
Maryna Illiashenko e seu filho de 13 anos, Kyrylo, sofreram ferimentos durante o bombardeio enquanto viajavam de ônibus para encontrar a mãe dele.
A segunda ogiva atingiu próximo ao veículo, ceifando a vida do motorista. Os estilhaços dilaceraram o cuirasso de Kyrylo e provocaram feridas faciais em Maryna.
Ambos tentaram abrir a porta do ônibus por dentro, porém ela estava travada.
"Em seguida, ao pensar sobre o próximo passo, levantei os olhos e vi que meu filho já havia pulado e abria a porta do outro lado," relatou Maryna.
"Ele abriu-o e vi pessoas caídas na minha frente. Primeiro ele auxiliou-as a se levantar e só então me permitiu sair. Estava extremamente apavorado pois meu rosto estava todo ensanguentado," prosseguiu.
Hennadii Smolarov, um dos ucranianos feridos no ataque, estava também num ônibus na hora em que ocorreu o incidente.
"Estando próximo da janela, levei uma pancada," relatou.
- Zelenskyy solicita maior pressão contra a Rússia e afirma que Putin não está interessado na diplomacia.
O ataque em Sumy, onde viviam aproximadamente 250.000 pessoas antes do conflito, teve lugar há apenas algumas semanas após o lançamento de mísseis russos em Kryvyi Rih, resultando na morte de 20 indivíduos, sendo nove deles crianças.
A Rússia propôs que o objetivo fosse uma assembleia de militares em Sumy, porém não há evidências que corroboram essa declaração.
Após o ataque, o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy solicitou uma resposta internacional unânime.
"Apenas uma real pressão sobre a Rússia poderá encerrar essa situação. É necessário impor sanções efetivas nos sectores que alimentam a engrenagem mortal da maquinaria russa", declarou.
As incursões com mísseis da Rússia ofuscam as negociações de ceasefire em andamento, lideradas pelos Estados Unidos (EUA).