Montalegre, Vila Real, 16 de abril de 2025 (solusikaki.com) — A responsável pelo Bloco de Esquerda declarou nesta sexta-feira que os habitantes que se opõem às mineradoras de lítio forneceram "ensinamentos sobre resistência nacional". Ela expressa sua convicção de que é viável impedir as operações extrativas planejadas na região de MontaleGRE.
Temos de confiar nisso [é possível], pois a comunidade está em desacordo e uniu-se para impedir essas atividades exploratórias. Os habitantes desta vila, assim como tantos outros, têm fornecido exemplos notáveis de resiliência ao país, defendendo esta área territorial conforme deveria ser feito pelo governo, pela estado e pelos principais partidos políticos, mas que infelizmente não foram cumpridas," enfatizou Mariana Mortágua após uma conversa com a organização ambiental Montalegre Com Vida sobre as minerações de lítio nesta localidade pertencente à região de Vila Real.
A chefe do Bloco de Esquerda declarou que é "crucial recordar nas eleições" que um território não deve ser "desgastado" sem o consentimento dos seus habitantes, chamando atenção à necessidade premente de "defender" os ativos do interior.
"É necessário que Portugal entenda que, se deseja preservar seu interior, deve proteger também seus recursos naturais. É dali que provém a água consumida por muitas pessoas, ali está a base da agricultura e da pecuária, produtos essenciais que enriquecem o território nacional. Destruir todo esse patrimônio em prol de supostas minas de lítio cujo conteúdo nem conhecemos, sem trazer nenhum benefício econômico ao país, seria uma falta grave de respeito à nação portuguesa. Portanto, nos comprometemos a combater essa iniciativa das mineradoras", enfatizou.
Interrogada acerca das compensações ou 'royalties' para as comunidades, Mariana Mortágua limitou-se a apontar "a propaganda" como "argumento econômico", declarando que o país "apenas sofrerá prejuízos" com as minas de lítio.
"Não existem argumentos econômicos; não se criam empregos, exceto na publicidade. [...] As pessoas da região têm tudo para perder, assim como o país inteiro. Haverá talvez uma ou duas partes que sairão beneficiadas, claro, pelo motivo delas estarem presentes, mas isso não significa que o país tenha qualquer vantagem nessa devastação em Trás-os-Montes e outras áreas", afirmou-se.
Na localidade de Morgade, a responsável do Bloco de Esquerda declarou também que as potencialidades locais e o patrimônio natural dessas cidades reconhecidas como Património Agrícola Mundial possuem um maior valor em comparação com quaisquer operações mineradoras.
“Devemos comunicar a essas pessoas que conseguiremos preservar suas terras, os recursos naturais, a diversidade biológica, proteger a água e salvaguardar o pouco que ainda resta desse país e de seus recursos com grande valia econômica. O valor financeiro do que é produzido aqui, da paisagem que temos e da água gerada nesse local supera qualquer potencial mina. Assim sendo, sim, é factível deter esses processos,” finalizou.
A mina do Romano, localizada em Montalegre, recebeu em setembro de 2023 um Documento de Impacte Ambiental (DIA) condicional emitido pela Autoridade Portuguesa do Ambiente (APA). Este documento inclui requisitos como a cobrança de royalties, implementação de medidas compensatórias para os residentes locais e estratégias de mitigação voltadas especificamente à proteção do lobo-ibérico.
A Lusorecursos já anunciou sua intenção de começar as operações mineradoras em 2027, com a refinaria prevista para ser inaugurada no ano seguinte. Essas iniciativas têm sido alvo de críticas por parte da população local, da Câmara Municipal de Montalegre e de várias organizações ecologistas.
No fim de março, a Comissão Europeia adicionou aos seus primeiros projetos classificados como estratégicos, conforme o Regulamento Europeu sobre Matérias-Primas Críticas, as iniciativas para explorar lítio nos concelhos de Boticas e Montalegre, localizados na região de Vila Real.
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