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Jerusalém, Israel, 16 abr 2025 (solusikaki.com) — As forças armadas israelenses informaram nesta quinta-feira que converteram aproximadamente 30% do território da Faixa de Gaza em um "perímetro de segurança", área tampão na qual os residentes palestinianos são proibidos de residir.

No comunicado, as forças armadas mencionaram também que haviam lançado ataques em torno de 1.200 "objetivos terroristas" por via aérea e realizados mais de cem "neutralizações seletivas" desde que reiniciaram suas operações na área palestina em 18 de março, depois de uma trégua de dois meses.

Aproximadamente 500.000 palestinos tiveram que se realocar em Gaza desde o término do cessar-fogo e a retomada dos ataques militares israelenses, informou nesta sexta-feira uma representante do secretário-geral da ONU, António Guterres.

Os nossos colegas humanitárias calculam que, desde o dia 18 de março, aproximadamente meia milionária de indivíduos tiveram que deixar suas casas por um primeiro ou subsequente deslocamento", afirmou Stéphanie Tremblay, num momento em que praticamente todos dos mais de dois milhões de moradores da região palestina já haviam se deslocado anteriormente, com alguns tendo feito isso repetidamente, antes do término das hostilidades.

A ONG israelense Breaking the Silence, composta por ex-soldados e reservistas contrários à ocupação, declarou nesta terça-feira que as forças armadas israelenses estão presentes em aproximadamente 36% do território da Faixa de Gaza. A entidade também alerta para um possível "grande expurgo ético" acontecendo na região.

"Denominam-na como 'zona tampão' por questões de segurança, contudo, essa região abrange atualmente aproximadamente 36% da faixa de Gaza. Transformá-la numa zona permanente significaria apenas uma coisa: um extenso ato de limpeza étlica. Isso sempre foi sobre algo mais além da segurança ou do controle. Deslocar pessoas e causar destruição não trazem segurança", declarou a organização não governamental em comunicado publicado nas mídias sociais.

A declaração da organização não governamental Quebrando o Silêncio ocorre logo após o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, ter afirmado em uma nota oficial que as forças armadas continuarão presentes nas chamadas "zonas de segurança" controladas pelas tropas no território de Gaza, mesmo diante da possibilidade de serem estabelecidos acordos para encerrar os combates.

"O Exército continuará presente nas áreas de segurança como uma barreira entre o adversário e as comunidades, independente de quaisquer acordos em Gaza, sejam eles provisórios ou permanentes," declarou Katz no pronunciamento, similar ao que ocorre no Líbano ou na Síria.

A área de segurança, ampliada por Israel durante as hostilidades — incluindo a demolição de todos os prédios e estruturas presentes — limita-se ao redor do enclave palestino, porém abrange ainda duas regiões militares: o corredor de Netzarim, localizado na região central, e o eixo de Morag. Além disso, esta zona now cobre toda a parte sul da cidade de Rafah.

Na sequência numa publicação subsequente na plataforma X (anteriormente conhecida como Twitter), Katz afirmou veementemente que as remessas de auxílio humanitário por meio de caminhões serão continuamente bloqueadas da entrada em Gaza, sendo utilizadas como "mecanismo de pressão". Segundo entidades similares ao Programa Alimentar Mundial (PMA), esta medida coloca centenas de milhares dos residentes de Gaza num estado crítico de desnutrição e carências alimentares.

Desde 02 de abril, Israel, que controla todos os pontos de acesso fronteiriço ao território palestiniano, não permite a entrada de qualquer tipo de provisões na Faixa de Gaza, incluindo água e alimentos, mas também combustível, tendas de campanha, utensílios e medicamentos, o que organizações não-governamentais como a israelita Ghisa classificam como “crime de guerra”.

"Gaza tornou-se uma vala comum tanto para a população palestiniana quanto para aqueles que vêm em seu auxílio", alertou hoje a coordenadora de emergências da organização Médecins Sans Frontières (MSF) na Faixa de Gaza, Amande Bazerolle. Ela destacou ainda que as operações humanitárias se tornam progressivamente mais desafiadoras dentro do território.

Em uma declaração, a MSF adverte que, desde o reinício das hostilidades israelenses há cerca de um mês e diante da proibição pela Israel da entrada de assistência humanitária, "estão sendo devastadas sistematicamente as vidas dos palestinos mediante a remoção compulsória da população e o bloqueio intencional de socorro essencial".

No comunicado, a MSF afirma que os ataques israelenses contra paramédicos e equipes de resgate demonstram uma clara indiferença à proteção das pessoas envolvidas na ajuda humanitária e nos cuidados médicos em Gaza.

"Assistimos em tempo real ao devastação e à expulsão compulsória de toda a população da Faixa de Gaza", declarou Bazerolle, adicionando ainda que "não existe local seguro tanto para os residentes quanto para quem está tentando auxiliá-los".

Israel anunciou no dia 07 de outubro de 2023 que havia entrado em estado de guerra com a Faixa de Gaza com o objetivo de "eliminar" o Hamas. Isso ocorreu poucas horas após o grupo ter conduzido um ataque extremamente devastador dentro do território israelense, resultando na morte aproximada de 1.200 indivíduos, majoritariamente cidadãos comuns, além da captura de 251 pessoas.

A conflito nesse território da Palestina já resultou em mais de 51.000 óbitos, sendo grande parte dessas vítimas civis, entre elas mais de 18.000 crianças. Além disso, registram-se mais de 111.000 pessoas feridas, aproximadamente 11.000 indivíduos desaparecidos, possivelmente soterradas sob os destroços, e vários milhares que vieram a falecer por causa de enfermidades, infecções ou falta de alimentos. Esses dados são provenientes dos últimos levantamentos oficiais do local, reconhecidos pela ONU como precisos.

Já há bastante tempo, a ONU afirmou que a Faixa de Gaza enfrenta uma séria crise humanitária, onde mais de 1,1 milhão de indivíduos estão num estado de "fome extrema", o que representa o maior número de mortes já documentadas pelo organismo em pesquisas relacionadas à segurança alimentar global.

E, ao fim de 2024, um grupo especial da ONU declarou que Israel estaria cometendo genocídio em territórios palestinianos e usando a fome como instrumento bélico — afirmação prontamente contestada pelas autoridades israelitas, embora estas não tenham fornecido qualquer evidência para respaldar sua posição.

ANC // SCA

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