Ginebra, 15 de abril de 2025 (solusikaki.com) – A República Democrática do Congo enfrenta uma “situação de emergência humanitária preocupante” decorrente das enchentes e dos confrontos armados no território nacional. Isso requer um apoio adicional por parte da comunidade global, afirmou nesta sexta-feira o representante oficial da Agência da ONU para Refugiados.
A crescente mobilização decorrente das cheias e dos conflitos, aliada ao aumento da insegurança alimentar e aos riscos sanitários emergentes, tornam essencial uma resposta humanitária bem organizada e forte para prevenir mortes desnecessárias," afirma Eujin Byun, instando a comunidade global a aumentar seu apoio financeiro ao ACNUR, a agência da ONU para refugiados, visando abordar essa "crise dupla" na RD Congo.
"O povo da República Democrática do Congo necessita urgentemente de assistência, e caso não haja uma intervenção rápida e eficaz, os resultados desta grave crise dual apenas irão deteriorar-se ainda mais," afirmou um representante do ACNUR, conforme mencionado em um comunicado lançado hoje logo depois da coletiva de imprensa realizada no Palácio das Nações, localizado na Suíça.
"Os alagamentos severos causados por fortes chuvas nos últimos dias obrigaram ao deslocamento de aproximadamente 10.000 pessoas na província de Tanganica," destacou.
Para a República Democrática do Congo, uma "dupla crise" significa lidar simultaneamente com situações muito difíceis: por um lado, confronta-se com impactos ambientais severos devido ao clima; por outro, continua presa em lutas internas persistentes e grandes movimentos populacionais deslocados. Esta situação aumenta significativamente as dificuldades já existentes no país.
Para além das inundações que afetaram vastas regiões em Kalemie e Nyunzu — onde residências, instituições educativas e campos de cultivo foram danificados — resultando assim em "milhares de indivíduos desalojados ou privados da sua fonte de sustento", há agora também apreensão quanto à proliferação de enfermidades devido às águas paradas e poluídas. Neste sentido, é relevante mencionar que o total de incidências de cólera notificadas nesta provincia está atualmente seis vezes acima do observado no mesmo intervalo temporal do exercício anterior.
Por um lado, essas enchentes afetaram uma população que já enfrentava muita tensão, pois de janeiro para cá, Tanganyika acolheu aproximadamente 50.000 deslocados internos provenientes da violência em Kivu do Sul.
As cheias também devastaram cultivos cruciais, incluindo mandioca, milho e amendoim, exacerbando ainda mais um cenário já crítico de insegurança alimentar nesse país africano vizinho da Angola de língua portuguesa.
Segundo avaliações atuais, 2,3 milhões de indivíduos nas quatro regiões impactadas pela luta [contra os membros do grupo M23, respaldado por Ruanda] — Kivu do Sul, Kivu do Norte, Ituri e Tanganyika — correm o sério risco de passar fome e até morrer nos próximos meses caso não sejam implementadas providências imediatas. O representante enfatizou isso.
Funcionários da ACNUR e organizações humanitárias associadas estão fornecendo assistência de emergência, como moradia temporária, água segura para beber, alimentação básica e cuidados médicos à população afetada. No entanto, conforme alertaram, os esforços dessas equipes encontram obstáculos significativos devido à falta crítica de fundos, o que resulta em milhares de indivíduos não recebendo urgentemente a ajuda necessária.
Além disso, os relatórios revelam que vários refugiados congoleses que haviam escapado recentemente para o Burundi decidiram voltar à República Democrática do Congo. Segundo a declaração, muitos dessas pessoas mencionam as duradouras dificuldades de vida, tais como escassez de comida, moradia inadequada e falta de serviços essenciais, como elementos cruciais que motivaram essa escolha, apesar da continuação dos confrontos armados e instabilidade na RDCongo.
No entanto, ainda há refugiados congolenses em trânsito, que persistem em atravessar as fronteiras dos países vizinhos na busca por proteção.
Segundo o comunicado, até agora, aproximadamente 120.000 indivíduos se deslocaram para Burundi, Tanzânia e Uganda, com Uganda recebendo somente na semana passada mais de 5.500 refugiados.
Esta tendência ressalta "a necessidade premente de mais suporte em ambos os países-anfitrião e nas regiões de retorno para lidar com as dificuldades enfrentadas por aqueles que retornam e refugiados nos países próximos," concluiu Eujin Byun.
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