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As afirmações feitas pelo chefe da CDU, Friedrich Merz, sobre a possibilidade de enviar mísseis Taurus à Ucrânia em guerra provocaram uma resposta positiva entre os países aliados na Europa, ao mesmo tempo que causaram indecisão num importante membro da coalizão interna.

Merz, que deverá ser o próximo chanceler da Alemanha, declarou na noite de domingo que estaria disposto a avaliar a possibilidade de enviar mísseis Taurus de longa distância para a Ucrânia como componente de uma ampliação do pacote de assistência concordada entre os países europeus aliados.

Ele mencionou que os mísseis poderiam ser empregados para atacar a ponte de Kerch, uma conexão territorial vital entre a Rússia e o território ocupado da Crimeia.

As observações feitas pelo chanceler nomeado representam uma alteração significativa em comparação com o seu predecessor, Olaf Scholz, que consistentemente se negou a entregar mísseis para a Ucrânia.

As nações parceiras europeias saudaram a disposição demonstrada por Merz em relação à entrega de equipamentos militares, com o secretário de Estado para os Assuntos Exteriores dos Países Baixos, Caspar Veldkamp, descrevendo-a como “um indicativo significativo do posicionamento da Europa nessa questão”. Já o contraparte polonês classificou essa proposta como “uma ideia muito positiva”.

A Alta Representante da União Europeia para os Assuntos Externos, Kaja Kallas, declarou que a Europa precisa "intensificar esforços para permitir que a Ucrânia se defenda e para garantir que os civis não continuem a perder suas vidas".

Pistorius impediu a entrega da Taurus

No entanto, em sua residência, a presença de Merz foi recebida com reservas pelo conhecido político Boris Pistorius, que é esperado para se juntar à próxima equipe ministerial de Merz. Essa equipe será formada por uma aliança entre os partidos CDU/CSU e SPD.

Na uma conferência em Hanôver, Pistorius parecia travar com essa ideia. Apesar dos sólidos motivos que apoiam o fornecimento de mísseis, há também "bons argumentos contra" isso.

O membro do partido SPD desmentiu as declarações sugerindo que ele sempre apoiou o fornecimento dos mísseis. Ele afirmou: "Jamais mencionei algo assim."

Pistorius levantou questões quanto à habilidade da Alemanha em sincronizar a distribuição dos mísseis com outras nações aliadas: "Não tenho conhecimento de nenhuma parceira europeia que possua uma estrutura única para isso", declarou.

O vice-líder do grupo parlamentar da CDU e possível nomeação como novo ministro dos Negócios Estrangeiros por parte de Merz, Johann Wadephul, afirmou que ainda mantém esperança numa resolução conjunta com o SPD referente ao envio desses mísseis.

Scholz defendeu que fornecer mísseis para Kiev poderia fazer com que a Alemanha se tornasse uma partieira direta do conflito entre Rússia e Ucrânia. Porém, Wadephul ressaltou que o SPD entende que "Putin precisa ser encarado de outra maneira", em referência ao bombardeamento russo na cidade de Sumy no domingo passado, onde pelo menos 34 pessoas foram mortas.

A aprovação do SPD não constitui um "momento decisivo", afirmou Wadephul à Bavarian Media Group. O partido irá "assumir uma posição e tomar uma decisão coletiva, que será feita em conjunto por todos".

Até ao momento, o Reino Unido e a França forneceram armas de precisão de longa distância à Ucrânia.

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