Daria Saville, uma tenista russa naturalizada australiana, discutiu os desafios resultantes da participação de WAGs (esposas e namoradas) na cena do tênis. Ela questiona por que motivo essas acompanhantes femininas frequentemente transitam pelos camarins e obtêm contratos e patrocínios aos quais as próprias jogadoras de tênis profissionais dedicadas raramente têm acesso ao longo de suas carreiras intensivas nas quadras.
A sua lógica é clara: o tênis, amplamente adorado globalmente, prospera devido à presença dos seus jogadores. Contudo, muitos desses tenistas encontram obstáculos significativos ao longo das suas trajetórias profissionais, principalmente quando se trata de acordos comerciais e parcerias. "As mulheres associadas aos atletas do tênis [WAG] parecem mais alinhadas com a imagem esportiva idealizada; somos nós, as tenistas cobertas de suor, que ficamos fora dessa representação", comentou Saville. Ela também mencionou ter conversado com várias WAGs proeminentes que expressaram espanto pelo fato delas recebermos menos oportunidades comparativamente. "Seria essa disparidade resultado da distância entre os atletas e o público geral?", indagou ela.
Saville abordou também outros temas voltados para o público, patrocinadores e comunidade do tênis: “Alguns profissionais da área de marketing veem as jogadoras como menos atrativas comparadas às WAGs [esposas e namoradas de jogadores]? É verdade que um estilo de vida luxuoso tem mais apelo do que uma rotina baseada em esforço? As mulheres associadas aos jogadores são vistas como modelos mais inspiradores do que as atletas?” Segundo Saville, é "ridículo" que nas competições dos principais campeonatos sejam utilizados influenciadores em detrimento das próprias tenistas. Ela mencionou ainda que não está sozinha nessa opinião, já tendo conversado sobre isso com algumas companheiras.
Sua postagem ganhou apoio, inclusive da número 68 do mundo, Eve Lys, que escreveu: "Vídeo excelente. Já tinha pensado nisso antes." As duas enfatizaram as dificuldades enfrentadas na obtenção de patrocínios comerciais, principalmente se não estão entre os dez primeiros colocados. Saville também identificou um dilema dentro do esporte: um vídeo onde ela aparecia se preparando para sair com seu marido, Luke Saville, que é também jogador de tênis, conseguiu maior destaque nas redes sociais do que seus registros cotidianos dedicados ao treinamento, conforme relatado pelo site sportsport.ba. Com 31 anos, Saville possui uma carreira robusta. Ela foi notável nos campeonatos juvenis, tendo vencido tanto o US Open individual quanto Roland Garros em duplas, além disso, alcançou vitória num evento WTA e frequentemente avançava até às fases de quartas ou semifinal dos principais torneios internacionais. Seu recorde máximo foi atingir a vigésima posição, enquanto hoje ocupa a centésima nona classificação global.
Em suas mídias sociais, Saville posta clipes esportivos e do dia a dia, incluindo momentos em que dança ou brinca com seu cachorro. Com 135 mil seguidores no Instagram, ela parece não receber ofertas de patrocínios adequadas. Alguns perfis femininos desconectados do tênis são mais bem-sucedidos nesse aspecto. Uma dessas é Morgan Riddle, uma ex-aluna de Literatura Inglesa de 27 anos que já trabalhou num brechó antes de se tornar gerente de comunicação na indústria de chapelaria. Ela também teve experiências como modelo ocasionalmente.
Embora não esteja muito envolvida no mundo dos esportes, ela está em um relacionamento de quase cinco anos com o tenista Taylor Fritz, cujo ranking mais alto chegou à 4ª posição na ATP. Riddle figura entre as prioridades principais tanto para os patrocinadores quanto para os fãs, contando com 435 mil seguidores no Instagram e meio milhão no TikTok. A jovem norte-americana revela utilizar a trajetória profissional do companheiro para atrair apoio financeiro e desenvolver a própria imagem pública.
Na sua presença online, explora assuntos relacionados ao estilo de vida: desde produções elegantes para partidas de tênis até cliques românticos com seu namorado, incluindo pré-jogos e aventuras viajando. O conteúdo é menos focado em esportes propriamente ditos e muito mais voltado a compartilhar imagens de pernas bem torneadas, malas estilosas e vestidos elaborados. Devido a essa abordagem, Riddle ganhou apelidos como "a dama mais conhecida do circuito masculino" ou "a boneca Barbie do mundo das quadras". Essa celebridade sem raqueta alcançou destaque significativo durante os principais torneios internacionais, atuando como jornalista nos bastidores de Wimbledon e registrando suas experiências na cobertura fashion do US Open. Além disso, ela tem participações marcantes em propagandas para grandes marcas de cervejas e artigos de luxo, além de ser porta-voz de linhas de beleza. Recentes feitos notáveis incluem figurar nas capas importantes revistas como a Vogue e dar diversas entrevistas recentemente.
Riddle mencionou que, no início, o ambiente do tênis era mais hostil do que receptivo. "Há uns anos, quando comecei a postar vídeos no TikTok, várias tenistas mais experientes compartilhavam-os em um grupo e zombavam de mim", explicou Riddle, apenas percebendo isso posteriormente. De acordo com a Forbes, as celebridades esportivas femininas mais procuradas podem faturar entre 1 e 3 milhões de dólares anuais (cerca de 880 mil a 2,64 milhões de euros), através de promoções de produtos e campanhas, superando assim até mesmo os rendimentos financeiros de diversas atletas profissionais. Essa quantia representa geralmente todo o montante conquistado durante toda uma carreira, salvo exceções como as integrantes das dez primeiras posições na WTA. Por exemplo, Saville acumulou aproximadamente seis milhões de dólares (cinco milhões e trezentos mil euros) durante seu percurso.
Comparativamente, Iga Świątek, classificada como nº 2 mundial, arrecadou dois milhões (cerca de 1,76 milhões) em prêmios neste ano. Destacam-se ainda personalidades como Morgan Riddle, além de Paige Lorenze, que é parceira de Tommy Paul. De acordo com Lorenze, detendo mais de 900 mil seguidores na plataforma Instagram, o êxito das parceiras conhecidas como "WAG" se dá porque as empresas buscam atingir novas audiências, não somente entusiastas do tênis. Aproximadamente 80% desses seguidores são mulheres, enquanto apenas cerca de 15% representam aficionados pelo esporte. É esperado um padrão similar noutras modalidades onde há participação significativa destas WAGs, tal qual ocorre no futebol e na Fórmula 1.
O tênis ocupa atualmente um lugar privilegiado. "Este esporte é o mais apetecível para os patrocinadores em razão da programação anual, pela conexão histórica com um público rico e pelas tradicionais exibições dos boxes onde ficam atletas e parentes", afirma a Forbes. Jelena Djokovic, casada com Novak Djokovic, aproveita igualmente deste reconhecimento. O que ainda não sabemos é como ela irá responder sobre essa controvérsia e se considerará estar sendo diretamente impactada por isso.