Premium ADs

Maputo, 16 de abril de 2025 (solusikaki.com) — A ONU destacou um financiamento "extremamente insuficiente" para a assistência humanitária às vítimas do ciclone Jude em Moçambique e está fazendo apelos por auxílio que ainda não foi atendido.

"A despeito dos esforços constantes, as falhas e discrepâncias substanciais ainda impedem a aptidão para atender aos requisitos das pessoas impactadas (...). O apoio financeiro destinado à assistência humanitária em Moçambique permanece drasticamente insuficiente," menciona um documento do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) sobre o suporte prestado às comunidades vitimizadas pelo ciclone, que foi analisado nesta data pela solusikaki.com.

O problema é causado pelo ciclone Jude, o mais recente a atingir o país, que chegou à Moçambique via distrito de Mossuril e resultou na morte de ao menos 43 pessoas, com 41 delas ocorrendo em Nampula. Além disso, também impactou as regiões de Tete, Manica e Zambézia, no centro do país, bem como Niassa e Cabo Delgado, localizadas no norte.

A mais recente actualização do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) indicava que havia, no mínimo, 384.877 pessoas afectadas.

De acordo com o OCHA, é necessário um montante aproximado de 63,7 milhões de dólares (56 milhões de euros) para prover auxílio e proteção a 778 mil indivíduos em situação vulnerável até meados do ano no território nacional.

"A continuação da falta de financiamento para o apelo rápido significa que a resposta humanitária depende dos recursos oferecidos por um número restrito de benfeitores," acrescenta-se ainda.

Conforme relatado, desde que ocorreu o ciclone até o dia 11 de abril, o agrupamento de refúgio das Nações Unidas alcançou 16% de sua meta ao disponibilizar itens não comestíveis e lona para as populações desabrigadas. Por outro lado, o segmento responsável por água, saneamento e higiene conseguiu avançar apenas 6%, principalmente mediante a implementação de campanhas educativas sobre práticas adequadas de higiene, logística envolvendo o transporte de água potável além da entrega de kits de limpeza às áreas devastadas pelo desastre natural.

Apenas em Cabo Delgado – que também lida com uma insurgência armada desde 2017 – é que o programa de assistência humanitária e o pedido de ajuda devida à seca receberam só 21% do financiamento necessário, conforme mencionado no documento.

"No campo da segurança alimentar e dos mecanismos de sobrevivência, somente 19% do público-alvo foi alcançado. Contudo, essa conquista equivale apenas a uma semana de distribuição de alimentos, sendo necessário um apoio contínuo até a temporada das colheitas," esclarece o documento.

Devido às "deficiências graves", a organização da ONU afirma que não é possível redistribuir os fundos entre as operações de assistência, deixando assim necessidades urgentes sem cobertura.

"São necessários auxílios imediatos para atender às demandas humanitárias em expansão nessa área (...), pois as estações das chuvas e dos ciclones, juntamente com o período da seca, persistem até abril", menciona-se ainda no documento que "as carências prementes abrangem alimento, sementes, materiais construtivos e ajuda".

Moçambique enfrenta atualmente sua temporada chuvosa, que se estende de outubro até abril. Durante este intervalo, além das chuvas intensas causadas pelo Jude, o país também sofreu com os ciclones Chido, ocorrido em 14 de dezembro, e Dikeledi, registrado em 13 de janeiro. Juntos, esses eventos climáticos extremos resultaram aproximadamente em 170 fatalidades.

Considera-se o país como uma das nações mais duramente atingidas pelos impactos globais da mudança climática, lidando com inundações recorrentes e tufões tropicais durante as estações chuvosas, além de longos períodos de estiagem extrema.

LYCE //

solusikaki.com/Fim

Table of Contents [Close]
    Postagem Anterior Próxima Postagem
    X
    X
    X