Paris, 15 Abr 2025 (solusikaki.com) — A Agência Internacional de Energia (AIE) reduziu as previsões globais de demanda por petróleo para os anos de 2025 e 2026, comparadas com o previsto um mês atrás, devido às consequências esperadas pela disputa comercial iniciada pelos Estados Unidos.
No informe mensal sobre o mercado, a AIE antecipa um aumento na demanda de petróleo deste ano em 730.000 barris diários comparados com 2024, totalizando 103,54 milhões de barris diários. Isso representa uma redução de 300.000 barris diários em comparação com as previsões feitas em março.
No entanto, prevê-se que o incremento na demanda seja ainda mais reduzido em 2026 (apenas mais 690.000 barris por dia, totalizando 104,23 milhões). Isso ocorrerá apesar da queda significativa nos preços do petróleo (em meados de abril estavam nos níveis mais baixos de quatro anos, abaixo dos 60 dólares por barril), pois essas condições não serão suficientes para contrabalançar os impactos das circunstâncias econômicas menos favoráveis.
No Monday, além do relatório mensal, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) revisou também reduzidas as suas estimativas para a demanda de crude, porém de maneira bem menos significativa.
Efetivamente, o grupo petrolífero diminuiu suas projeções do mês passado em 150.000 barris por dia para 2025, chegando a 105,20 milhões, e em 300.000 barris por dia para 2026, atingindo 106,63 milhões.
A Agência Internacional de Energia (AIE) afirma que o impacto da guerra tarifária desencadeada pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, será significativamente severo. Espera-se ainda que aproximadamente um terço das reduções nas projeções até 2025 sejam resultado deste conflito entre os Estados Unidos e a China.
Em 2026, o principal crescimento na demanda mundial provirá das economias asiáticas (com um total de 590.000 dos 690.000 esperados), ao passo que observar-se-á uma redução nas regiões consideradas economicamente avançadas worldwide.
Neste documento, os autores destacam que o aumento das taxas já afetou a confiança dos consumidores nos EUA desde março, e sugere-se ainda que isso possa influenciar as escolhas de investimentos futuros e os movimentos financeiros.
Em relação ao desabamento do preço do barril de petróleo (nos contratos futuros, a diminuição ultrapassou os 15 dólares, situando-se abaixo dos 60 dólares, o menor valor em quatro anos), a agência explica isto pela mudança nas previsões econômicas, bem como pela decisão imprevista da OPEP+.
Oito membros desse grupo, envolvidos em cortes voluntários de produção desde novembro de 2023, planejaram um aumento triplamente maior do que o inicialmente esperado para maio (de 138.000 para 411.000 barris extras por dia). Isso intensificou a percepção de que haverá um acréscimo significativo na sobra de suprimento.
Contudo, a AIE destaca que o excedente poderia ser menor pois vários dos países em questão, como por exemplo o Cazaquistão, os Emirados Árabes Unidos e o Iraque, já estão a disponibilizar no mercado volumes superiores aos previstos. Além disso, outras nações se comprometeram a atenuar a produção supranormal anteriormente realizada.
O desabamento dos preços nas últimas semanas está tendo um impacto imediato na lucratividade de diversas companhias, incluindo as empresas do petróleo de xisto nos Estados Unidos, que alertaram que é necessário que o valor esteja em torno de 65 dólares por barril para que possam perfurar novos poços.
Nesta situação, os redatores do documento diminuíram suas previsões anteriores de produção para o ano atual em 260.000 barris diários, sendo que desses, 150.000 barris diários são atribuídos aos Estados Unidos.
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