A comunidade global chamou atenção ao perigo de fragmentação no Sudão e apoiou um papel mais significativo das organizações civis na solução do conflito, conforme mencionado numa declaração feita depois de uma convenção que ocorreu em Londres na terça-feira passada.
"A principal preocupação é alcançar um cessar-fogo imediato e duradouro e pôr fim ao conflito. Os envolvidos irão incentivar ativamente as iniciativas para buscar uma resolução pacífica e condenar quaisquer ações, como ingerências estrangeiras, que intensifiquem as hostilidades ou mantenham ou permitam novas batalhas," conforme mencionado no documento.
Os participantes enfatizaram a importância de manter a integração do Sudão" e "repudiaram todas as propostas, inclusive a formação de administrações alternativas, que coloquem em perigo a coesão nacional, a autonomia e o território integral da nação sudanesa e que possam minar as ambições democráticas do seu povo".
Na declaração, defendem a passagem para um governo dirigido por civis.
"O povo sudanês - no sentido mais abrangente e inclusivo - deve expressar sua opinião e determinar o futuro político de seu país," enfatizam.
Face à crise humanitária no território em questão, abordou-se a possibilidade de colaboração e o incremento do auxílio para quem foi impactado. Os envolvidos incentivaram um “acesso humanitário célere, seguro e desimpedido a todos os locais carenciados por meio de quaisquer rotas pertinentes”.
"Aceitando a gravidade e a urgência da situação humanitária, especialmente considerando os 3,8 milhões de refugiados e retornados sudaneses em países limítrofes, os envolvidos reafirmaram sua solicitação às partes conflituosas para que adotem passos decisivos e urgentes visando cumprir as normas do direito internacional humanitário," enfatizam.
Incentivamos igualmente as partes a removerem quaisquer barreiras aos suprimentos e ao pessoal de ajuda humanitária e a preservarem o "carácter neutro e salvacionista do auxílio humanitário".
A conferência teve como copatrocinadores o Reino Unido, a União Africana (UA), a União Europeia (UE), a França e a Alemanha, além da presença de ministros de Relações Exteriores ou seus substitutos provenientes do Canadá, Chade, Egito, Etiópia, Quênia, Reino da Arábia Saudita, Noruega, Catar, Sudão do Sul, Suíça, Turquia, Emirados Árabes Unidos, Uganda, Estados Unidos, da Liga dos Estados Árabes (LEA) e das Nações Unidas (ONU).
Face à magnitude da crise humanitária, os oito participantes (Reino Unido, Estados Unidos, União Europeia, França, Alemanha, Emirados Árabes Unidos, Canadá e Suíça) se comprometeram a fornecer mais de 813 milhões de libras (951 milhões de euros) em financiamento para o Sudão e seus países vizinhos neste ano.
O conflito no Sudão entre as Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês) e as Forças Armadas do Sudão (SAF, na sigla em inglês) teve início em 15 de abril de 2023.
Nestes últimos dois anos, já assassinaram dezenas de milhares de indivíduos e forçaram mais de 12 milhões a abandonar as suas residências, além de aproximadamente quatro milhões terem buscado abrigo em nações limítrofes.
Segundo informações da ONU mencionadas num comunicado, 60%, ou seja, 30 milhões entre os 50 milhões de cidadãos deste país, necessitam de ajuda humanitária. Além disso, várias emergências de saúde estão ocorrendo ao mesmo tempo e o acesso à atenção médica pública é restrito para muitas pessoas.