Luanda, 16 abr 2025 (solusikaki.com) - Representantes jovens de partidos políticos e organizações civis em Angola denunciaram nesta sexta-feira que o governo está implementando "legislaturas restritivas" com o objetivo de "someter e amedrontar" os indivíduos críticos do sistema governamental, especificamente mencionando as novas regulamentações relacionadas ao vandalismo e à propagação de notícias falsas online.
Hoje, os líderes jovens dos partidos FNLA, PRS, Bloco Democrático — que estão na oposição —, bem como representantes do Movimento dos Estudantes de Angola (MEA) realizaram uma declaração durante um encontro com a mídia em Luanda.
Estas organizações, ao se pronunciarem de forma unida sobre o "real estado da juventude angolana - presente e futuro", salientaram que a educação e instrução, oportunidades de trabalho, capacitação profissional, cuidados de saúde e moradia representam as questões mais prementes enfrentadas pela jovem população do país atualmente.
Identificam-se o aumento do número de jovens em idade escolar que não têm oportunidades para continuar seus estudos, falta de novas vagas de emprego, “uma crise habitacional que afeta grande parte da juventude” e a criminalidade juvenil solicitando intervenções governamentais.
Lembram que a população angolana é principalmente composta por jovens cujo número continua a aumentar, destacando assim a importância de "combater a presente exploração da juventude pelo MPLA (o partido governante) e também a falta de políticas públicas voltadas para os jovens".
Para estas organizações jovens, Angola é um dos países que mais cria legislação, mas elas argumentam que a elaboração de leis precisa estar alinhada com iniciativas concretas que tenham impacto direto na realidade juvenil.
Nesta posição conjunta, os jovens condenaram a "inutilidade" das iniciativas voltadas para o desenvolvimento juvenil nos últimos doze anos, afirmando que o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no comando desde 1975) não conseguiu pô-las em prática com sucesso.
"MPLA falhou na transição; [programa de desenvolvimento juvenil] é um documento elegante, porém incapaz de ir além das páginas escritas. Parem de pensar em nome dos jovens, pois eles possuem seus próprios ideais. Importa saber o que desejam e aqueles com a responsabilidade de governar devem atender às suas ambições", afirmam no comunicado.
Também culpam o Governo por elaborar legislações destinadas a "reprimir os jovens que protestam e manter a continuidade da segurança estatal", como as leis referentes ao Vandalismo de Bens Públicos, à Regulamentação das Organizações Não Governamentais (ONG), à Segurança Nacional e à Propagação de Informações Falsas na Internet.
Expressaram também sua preocupação sobre a deterioração social e econômica que as famílias angolanas estão enfrentando, juntamente com o aumento significativo da violência contra mulheres, bem como a crescente presença de fome, pobreza e um número maior de casos de cólera no país.
“A inexistência de saneamento básico como políticas públicas e a fraca capacidade do sistema nacional de saúde que nunca faz a transição de uma saúde curativa para uma saúde preventiva, agrava continuamente a situação sanitária no país (…)”, lamentaram os jovens.
Asseguraram definitivamente manter-se na defesa de que o governo conduzido pelo Presidente angolano, João Lourenço, "consegue erguer a ponte necessária para facilitar a passagem do discurso público à realidade dos anseios populares e, particularmente, das jovens gerações".
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